Descubra o que é a mediunidade segundo o Espiritismo. Entenda os tipos de médiuns, o papel do perispírito e como educar essa faculdade com Allan Kardec.
Palavras-chave: Mediunidade, Espiritismo, Allan Kardec, Psicografia, Evolução Espiritual.
A mediunidade é um dos temas que mais desperta curiosidade, medo e fascínio na história da humanidade. Por muito tempo, foi tratada como um fenômeno sobrenatural, um "dom" milagroso ou até mesmo uma patologia mental. No entanto, com o advento da Doutrina Espírita em 1857, através das obras de Allan Kardec, esse conceito foi redefinido sob uma ótica racional, científica e profundamente moral.
Neste guia completo, exploraremos a fundo o que é a mediunidade segundo o Espiritismo, como ela funciona tecnicamente e qual a sua finalidade na jornada de evolução da alma.
1. O Que é Mediunidade? A Definição Espírita
Diferente do que muitos acreditam, a mediunidade não é um privilégio de "escolhidos" ou santos. Segundo O Livro dos Médiuns, ela é uma faculdade natural inerente à espécie humana.
Em termos simples, o médium é o indivíduo que serve de ponte (intermediário) entre o mundo físico e o mundo espiritual. Todos nós, em algum grau, sentimos a influência dos Espíritos. Seja através de uma intuição repentina, um pressentimento ou um sonho, a interação entre os dois planos é constante.
Todavia, a Doutrina Espírita reserva o termo "médium" para aqueles em quem essa faculdade se manifesta de forma ostensiva, ou seja, com efeitos claros e perceptíveis, como a escrita, a fala ou a visão de desencarnados.
A Mediunidade como "Sexto Sentido"
Muitos estudiosos do Espiritismo comparam a mediunidade a um sentido adicional. Assim como a visão nos permite perceber as ondas de luz e a audição as ondas sonoras, a mediunidade permite perceber as vibrações e pensamentos do plano espiritual. É, portanto, uma propriedade biológica do organismo humano, e não uma conquista da alma.
2. Como a Mediunidade Funciona: O Papel do Perispírito
Para entender a técnica por trás do fenômeno, precisamos falar do perispírito. O Espiritismo ensina que o homem é composto por três partes:
O Espírito: O ser inteligente e imortal.
O Corpo Físico: O invólucro material temporário.
O Perispírito: O corpo fluídico que une o Espírito ao corpo físico.
A comunicação mediúnica ocorre através da irradiação dos fluidos. O Espírito comunicante expande seus fluidos e envolve o perispírito do médium. Nesse momento, ocorre uma espécie de sintonia vibratória, semelhante a uma estação de rádio que sintoniza uma frequência específica.
Através dessa conexão, o Espírito pode transmitir seus pensamentos, sensações e até agir sobre a matéria por meio das energias (fluido vital) do médium.
3. Classificação das Faculdades Mediúnicas
Allan Kardec, em seu trabalho de codificação, catalogou diversas formas de mediunidade. Elas podem ser divididas em dois grandes grupos:
A. Médiuns de Efeitos Físicos
São aqueles cuja faculdade permite a produção de fenômenos materiais que podem ser observados pelos cinco sentidos.
Tiptologia: Comunicação por meio de batidas e ruídos.
Levitação: Deslocamento de objetos no espaço.
Materialização: Onde o Espírito utiliza o ectoplasma do médium para tornar-se visível e tangível.
Voz Direta: Quando os Espíritos falam sem usar as cordas vocais do médium, utilizando uma "garganta fluídica".
B. Médiuns de Efeitos Intelectuais
Neste caso, a comunicação foca na transmissão de ideias e mensagens inteligentes.
Psicografia: O médium escreve sob a influência do Espírito. Foi através desta faculdade que Chico Xavier psicografou mais de 450 livros.
Psicofonia: Popularmente chamada de "incorporação". O médium utiliza sua fala para transmitir a mensagem do Espírito.
Vidência e Audiência: Capacidade de ver ou ouvir os habitantes do plano espiritual.
Psicometria: Quando o médium consegue ler a história ou a energia contida em objetos.
4. A Lei de Afinidade e Sintonia
Um dos pontos mais críticos para entender a mediunidade é a Lei de Afinidade. No universo espiritual, "semelhante atrai semelhante".
O médium não é um rádio passivo; ele é um filtro. A qualidade da comunicação depende diretamente da sintonia moral e intelectual entre o médium e o Espírito.
Se um médium cultiva pensamentos de raiva, orgulho ou egoísmo, ele atrairá Espíritos que vibram na mesma frequência (frequentemente chamados de obsessores).
Se o médium busca o estudo, a caridade e a reforma íntima, ele se torna um canal para Espíritos Superiores e Mentores.
5. A Mediunidade é uma Missão ou uma Expiação?
Muitas pessoas perguntam: "Por que eu nasci com mediunidade?". O Espiritismo esclarece que a mediunidade é uma oportunidade de trabalho.
Para alguns, ela funciona como uma ferramenta de auxílio ao próximo, permitindo consolar os aflitos e provar a imortalidade da alma. Para outros, a mediunidade ostensiva é uma "prova" que exige disciplina, servindo para que o indivíduo aprenda a lidar com suas próprias energias e se proteja de influências negativas através da conduta ética.
6. O Perigo da Comercialização: "Dai de Graça"
Este é um pilar fundamental da Doutrina Espírita. Jesus disse: "Dai de graça o que de graça recebestes".
Como a mediunidade é uma faculdade orgânica e não um mérito pessoal, o Espiritismo condena estritamente a cobrança por consultas, passes ou mensagens mediúnicas. A exploração financeira da mediunidade atrai Espíritos de baixa evolução, que se comprazem com o comércio espiritual, e afasta os bons Espíritos, que não se sujeitam a interesses materiais.
7. Como Lidar com a Mediunidade: A Educação Mediúnica
Sentir a presença de Espíritos, ouvir vozes ou ter visões sem entender o que está acontecendo pode causar angústia e até ser confundido com doenças mentais. Por isso, o Espiritismo enfatiza a importância da Educação Mediúnica.
Educar a mediunidade não significa "fazer ela ir embora", mas sim aprender a controlá-la. Isso é feito através de:
Estudo: Conhecer as obras de Allan Kardec (especialmente O Livro dos Médiuns).
Reforma Íntima: Trabalhar o próprio caráter para melhorar a sintonia vibratória.
Trabalho no Bem: Utilizar a faculdade para ajudar os outros, seja em centros espíritas ou na vida cotidiana.
Oração e Vigilância: Manter o equilíbrio mental e emocional.
8. Mediunidade e Ciência
O Espiritismo se define como uma ciência de observação. Allan Kardec utilizou o método científico para interrogar os Espíritos e validar as informações recebidas.
Hoje, diversas áreas da ciência, como a física quântica e a parapsicologia, começam a investigar fenômenos que se alinham aos conceitos espíritas, como a consciência fora do corpo e a influência do pensamento sobre a matéria. Embora ainda não haja um consenso acadêmico global, o estudo da mediunidade avança como um campo de fronteira no conhecimento humano.
Conclusão: O Despertar do Espírito
A mediunidade, segundo o Espiritismo, é a prova viva de que a morte não existe. Ela nos ensina que somos seres espirituais em uma breve experiência terrena e que nossas ações aqui ecoam no plano invisível.
Ter mediunidade não faz de ninguém alguém melhor ou pior; o que define o valor do homem é o que ele faz com as ferramentas que possui. Quando exercida com amor, estudo e humildade, a mediunidade torna-se uma lanterna que ilumina o caminho da evolução humana, conectando o Céu e a Terra em um abraço de fraternidade.
O Espiritismo nos ensina que a vida não termina com a morte do corpo físico. Para entender essa jornada espiritual de forma completa, leia o guia definitivo sobre a vida do Espírito antes, durante e após a morte.
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