Assim Ele Previa: A Gênese Explicada por Allan Kardec



Assim Ele Previa: A Gênese Explicada por Allan Kardec, como Jesus ele previa o progresso espiritual, entre fé e razão a vinda do Consolador Prometido.


Em A Gênese, Allan Kardec demonstra com clareza que o Cristo assim ele previa as transformações morais, intelectuais e espirituais da humanidade. Ao anunciar a vinda do Consolador Prometido, Jesus indicava que os homens, em determinado momento de sua evolução, sentiriam necessidade de explicações mais amplas, racionais e consoladoras do que aquelas que encontrariam nas crenças então estabelecidas.

Essa previsão revela a insuficiência temporária das interpretações religiosas fundadas exclusivamente na fé cega ou na leitura literal das Escrituras. Talvez nunca o Cristo tenha sido tão claro e explícito quanto nessas últimas palavras, às quais poucas pessoas deram a devida atenção. Isso ocorreu, provavelmente, porque muitos evitaram esclarecê-las e aprofundar seu sentido profético, temendo confrontar dogmas ou ideias preconcebidas.

Se o Cristo não pôde desenvolver plenamente o seu ensino à época, foi porque faltavam aos homens conhecimentos que somente o tempo e o progresso da Ciência poderiam proporcionar. Sem essas bases, muitos ensinamentos pareceriam absurdos ou incompreensíveis diante do nível intelectual da humanidade daquele período histórico. Assim, quando se fala em completar o ensino de Jesus, deve-se entender esse complemento não como a adição de novas verdades, mas como a explicação, o desenvolvimento e a interpretação daquilo que já estava contido em estado de germe em suas palavras, faltando apenas a chave para a correta compreensão.

Quem Tem o Direito de Interpretar as Escrituras Sagradas?

Surge então uma questão fundamental: quem pode interpretar as Escrituras Sagradas? Quem possui esse direito? Seriam apenas os teólogos? A História demonstra que não. A própria Ciência, que não pede permissão para revelar as leis da Natureza, avançou superando erros, preconceitos e interpretações equivocadas do passado.

Durante séculos, acreditou-se que apenas autoridades religiosas detinham as “luzes especiais” necessárias para interpretar os textos sagrados. No entanto, mesmo os teólogos mais esclarecidos da Idade Média — incluindo os Pais da Igreja — não possuíam conhecimento suficiente para evitar graves equívocos, como condenar como heresia o movimento da Terra ou a existência dos antípodas.

Da mesma forma, teólogos de épocas mais recentes chegaram a lançar anátema sobre teorias científicas hoje comprovadas, como os longos períodos de formação da Terra. Isso evidencia que as interpretações bíblicas sempre estiveram condicionadas ao grau de conhecimento humano disponível em cada época.

Liberdade de Consciência e Progresso Espiritual

Neste século de emancipação intelectual e liberdade de consciência, o direito de exame pertence a todos. As Escrituras já não são vistas como uma “arca santa” intocável, cuja análise racional representaria um sacrilégio. Pelo contrário, são compreendidas como documentos espirituais profundos, que devem ser estudados à luz da razão, da moral e do progresso científico.

Os homens só puderam explicar as Escrituras com base no que sabiam, utilizando noções muitas vezes falsas ou incompletas sobre as leis da Natureza, leis estas que mais tarde seriam reveladas e esclarecidas pela Ciência. É exatamente nesse ponto que o Espiritismo se apresenta como o Consolador Prometido, cumprindo o que assim ele previa: a união da fé com a razão, permitindo uma compreensão mais justa, profunda e libertadora do ensino do Cristo.

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