Os homens, ao longo dos séculos, só puderam explicar as Escrituras com o auxílio dos conhecimentos de que dispunham em cada época, valendo-se das noções muitas vezes falsas, limitadas ou incompletas que possuíam sobre as leis da Natureza, leis essas que somente mais tarde viriam a ser esclarecidas e confirmadas pela Ciência.
Assim, muitas interpretações nasceram condicionadas pelo contexto cultural, histórico e intelectual do tempo em que foram formuladas, refletindo mais a compreensão humana do que a realidade espiritual em si.
Eis porque os próprios teólogos, frequentemente animados de sincera boa-fé e profundo desejo de defender a fé, acabaram por se enganar quanto ao verdadeiro sentido de certas palavras, símbolos e fatos narrados nos Evangelhos. Ao buscarem, a todo custo, encontrar nas Escrituras a confirmação de ideias previamente concebidas, prenderam-se a interpretações rígidas e literais, girando sempre no mesmo círculo de pensamento, sem a coragem de abandonar o ponto de vista já estabelecido. Dessa forma, deixaram de perceber novos significados e ensinamentos mais elevados, pois acabavam enxergando apenas aquilo que desejavam ver, e não o que o texto sagrado realmente oferecia à razão e ao progresso do entendimento humano.
Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai e qual a razão de estar na Terra. Compreende que sua passagem pelo mundo material tem um propósito educativo e moral, e que o sofrimento, quando ocorre, é sempre temporário, tendo por finalidade o aprendizado e o aprimoramento do Espírito. Dessa forma, passa a perceber, em todos os acontecimentos da vida, a presença da justiça e da bondade de Deus, que jamais pune, mas educa e corrige com sabedoria.
Sabe que a alma progride incessantemente por meio de uma série de existências sucessivas, nas quais adquire experiências, desenvolve virtudes e repara faltas do passado, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Tem consciência de que todas as almas possuem um mesmo ponto de origem, sendo criadas simples e ignorantes, porém iguais em essência e com idêntica aptidão para progredir, graças ao uso do livre-arbítrio. Assim, cada Espírito é responsável por seu próprio destino, avançando conforme suas escolhas, esforços e atitudes ao longo das múltiplas existências.

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