O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo


                         O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo


Os homens, ao longo dos séculos, só puderam explicar as Escrituras com o auxílio dos conhecimentos de que dispunham em cada época, valendo-se das noções muitas vezes falsas, limitadas ou incompletas que possuíam sobre as leis da Natureza, leis essas que somente mais tarde viriam a ser esclarecidas e confirmadas pela Ciência. 

Assim, muitas interpretações nasceram condicionadas pelo contexto cultural, histórico e intelectual do tempo em que foram formuladas, refletindo mais a compreensão humana do que a realidade espiritual em si.

Eis porque os próprios teólogos, frequentemente animados de sincera boa-fé e profundo desejo de defender a fé, acabaram por se enganar quanto ao verdadeiro sentido de certas palavras, símbolos e fatos narrados nos Evangelhos. Ao buscarem, a todo custo, encontrar nas Escrituras a confirmação de ideias previamente concebidas, prenderam-se a interpretações rígidas e literais, girando sempre no mesmo círculo de pensamento, sem a coragem de abandonar o ponto de vista já estabelecido. Dessa forma, deixaram de perceber novos significados e ensinamentos mais elevados, pois acabavam enxergando apenas aquilo que desejavam ver, e não o que o texto sagrado realmente oferecia à razão e ao progresso do entendimento humano.


Por muito instruídos que fossem, eles não podiam
compreender causas dependentes de leis que lhes eram desconhecidas.
Mas, quem julgará das interpretações diversas e muitas vezes
contraditórias, fora do campo da teologia?
 O futuro, a lógica e o bom-senso.
Os homens, cada vez mais esclarecidos, à medida que novos fatos e novas leis se
forem revelando, saberão separar da realidade os sistemas utópicos. Ora, as
ciências tornam conhecidas algumas leis; o Espiritismo revela outras; todas são
indispensáveis à inteligência dos Textos Sagrados de todas as religiões, desde
Confúcio e Buda até o Cristianismo.

Quanto à teologia, essa não poderá judiciosamente alegar contradições da Ciência, visto como também ela nem sempre está de acordo consigo mesma.

 O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este
partiu das de Moisés, é consequência direta da sua doutrina. A ideia vaga da
vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos
rodela e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma
consistência, uma realidade à ideia. Define os laços que unem a alma ao corpo
e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da
morte.

Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai e qual a razão de estar na Terra. Compreende que sua passagem pelo mundo material tem um propósito educativo e moral, e que o sofrimento, quando ocorre, é sempre temporário, tendo por finalidade o aprendizado e o aprimoramento do Espírito. Dessa forma, passa a perceber, em todos os acontecimentos da vida, a presença da justiça e da bondade de Deus, que jamais pune, mas educa e corrige com sabedoria.

Sabe que a alma progride incessantemente por meio de uma série de existências sucessivas, nas quais adquire experiências, desenvolve virtudes e repara faltas do passado, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Tem consciência de que todas as almas possuem um mesmo ponto de origem, sendo criadas simples e ignorantes, porém iguais em essência e com idêntica aptidão para progredir, graças ao uso do livre-arbítrio. Assim, cada Espírito é responsável por seu próprio destino, avançando conforme suas escolhas, esforços e atitudes ao longo das múltiplas existências.

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