A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo





A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo

A pluralidade das existências na visão espírita explica a justiça divina, o sofrimento humano e o progresso do Espírito à luz dos ensinamentos de Jesus.

O estudo da situação dos Espíritos permite ao homem compreender que a felicidade e a desdita, tanto na vida corporal quanto na espiritual, estão diretamente relacionadas ao grau de perfeição moral alcançado por cada um. Nada ocorre ao acaso: cada Espírito experimenta as consequências naturais de seus próprios atos. Assim, o sofrimento não é punição arbitrária, mas resultado educativo das faltas cometidas, permanecendo enquanto subsistir a causa que o originou.

Desse modo, se o Espírito persiste no mal, prolonga voluntariamente suas dores; entretanto, quando desperta para o arrependimento sincero e se dispõe à reparação, o sofrimento cessa. O progresso espiritual está intimamente ligado ao livre-arbítrio, permitindo a cada um abreviar ou prolongar suas provas, assim como o doente que só se liberta da enfermidade quando abandona os excessos que a provocaram.

A razão, aliada ao sentimento moral, repele a ideia de penas irremissíveis, eternas e absolutas, por serem incompatíveis com a bondade e a justiça de Deus. Não se pode conceber um Pai infinitamente justo e misericordioso que condene seus filhos a suplícios sem fim por faltas temporárias. Em contrapartida, a justiça divina apresentada pelo Espiritismo é distributiva e imparcial: considera todas as circunstâncias, nunca fecha a porta ao arrependimento e estende continuamente a mão ao Espírito em queda, oferecendo-lhe sempre a possibilidade de reerguimento.

É nesse contexto que se insere a pluralidade das existências, princípio estabelecido pelo Cristo no Evangelho, ainda que não explicitado de forma direta. Coube ao Espiritismo revelar essa lei com clareza, demonstrando sua realidade e sua necessidade para o progresso moral e intelectual da humanidade.

A reencarnação explica, de maneira lógica e consoladora, as aparentes injustiças da vida humana: as desigualdades sociais, as diferenças de aptidões intelectuais e morais, bem como as mortes prematuras que, sem essa lei, tornariam inúteis as existências breves. Cada Espírito renasce trazendo consigo as aquisições do passado, frutos de experiências anteriores, avançando gradualmente em direção à perfeição.

Em oposição a isso, a doutrina da criação da alma no instante do nascimento conduz a sérias incoerências, pois não explica satisfatoriamente tais desigualdades nem o surgimento dos homens de gênio. O gênio não cria do nada: ele revela conhecimentos conquistados ao longo de múltiplas existências. É o Espírito mais adiantado que traz luzes novas à humanidade, permitindo que essas verdades, pouco a pouco, se difundam e impulsionem o progresso coletivo.

Sem a pluralidade das existências, a justiça divina se tornaria incompreensível. Com ela, porém, tudo se harmoniza: a bondade de Deus, a responsabilidade individual e o destino espiritual do homem.


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